quarta-feira, 22 de outubro de 2008


Vazio



Os dias já não tem mais tanto sentido

As noites agora são frias

Ah! Amor infame!

Por que levou contigo o meu cobertor?

Por que deixou-me?



Silêncio.



Os sonhos não são mais mágicos

Minha sombra agora caminha só

Pobre coração! Já nem te reconhece mais

Por onde anda o teu amor?



Silêncio.



Hoje, o vazio me abraça

Talvez a esperança de te ter novamente em meio seio

Talvez?



Silêncio.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008


Ela corre desesperadamente no meio daquela imensidão de mato. O verde é tanto que se confunde com a cor dos seus olhos. Olhos que mais parecem dois limões querendo partir-se ao meio. O vento insiste em assanhar o seu longo cabelo encaracolado. A roupa, até então branca, agora já está um tanto quanto escurecida. As sandálias ficaram no meio do caminho. Os pés, agora livres, podem sentir o frizinho do mato. Ela corre tão desesperadamente que cai e cola o seu rosto no chão sujo. Uma lágrima escorre do seu olho esquerdo. Uma lágrima é pouco pra que ela pare. Levanta-se num ímpeto e volta a correr. Passa a mão na boca para retirar a areia. Os olhos estão marejados. As pernas estão cansadas, mas motivadas a correr ainda mais rápido, sabe-se lá por que. A cada passo sua respiração ficava mais ofegante. O chão parecia puxá-la para baixo com uma força estrondosa e o coração insistia em deixá-la de pé e firme. O cansaço era tanto que pensou em desistir por várias vezes. Na última seus olhos avistaram algo. Olhos marejados agora vívidos estavam. Ela parecia não acreditar que via aquela casa. Ainda estava longe, mas reconhecia a sua cor amarelada. O sorriso aparecia entre lágrimas. Correu ainda mais rápido. A porta estava entreaberta. Entrou de supetão. Empurrou a porta. Olhou para todos os lados e viu que tudo estava desarrumado. Um vendaval parecia ter passado por ali. Ela nem conseguia pensar. Olhou a escada e desatou a correr. Subiu os dez degraus e logo avistou a sala de pintura. Entrou e lá estava ele deitado entre tintas e pincéis. De longe parecia tão tranqüilo e de perto parecia tão frio. Suas mãos estavam geladas. Aquelas mãos que tantas vezes a aqueceram. O seu corpo parecia pesado. Ela quase não conseguia vira-lo. Beijou a sua boca suja de tinta. Tinta e areia tornaram-se um naquele momento. Lembrou-se de tantos quadros que ele havia pintado dela naquele mesmo lugar. Naquele quarto ele deu vida há tantos quadros. Naquele quarto ele perdeu a vida. E ela também.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008


Hoje Maria quis esquecer que o mundo é real. Que as preocupações exaustivas fazem parte do seu cotidiano. Quis esquecer que o mundo cobra dela uma posição social; algum tipo de status. Quis esquecer que os amigos cobram a sua presença e que ela sente falta deles. Quis esquecer a sua falta de tempo para reparar nas pequenas coisas do dia-a-dia; aquelas realmente importantes. Quis esquecer disso. Quis esquecer daquilo. Quis esquecer de TUDO. Amanhã Maria quer sair pra ver o mar. Quer sentir o vento bater no cabelo. Quer conversar horas a fio com os seus. Quer criar coragem para dizer a ele que o ama. Quer viajar e apreciar a natureza. Quer viver intensamente. Intensamente. Sempre intensamente.

sexta-feira, 6 de junho de 2008


O dia amanheceu assim: cheio de alegria. Ao decorrer das horas o tempo ia escurecendo como uma folha de papel em branco quando jogada ao fogo. A alegria da luz do sol foi sumindo e sumindo aos pouquinhos. A leve brisa batendo no rosto e a leve sensação de liberdade tomava conta da atmosfera. O sol deu lugar a chuva. A doce chuva! Tomar banho de chuva é simplesmente maravilhoso. A água que vem do céu é tão pura como uma criança. Correr sozinho no meio da rua vazia parece até loucura de adolescente. Mas no fundo todos somos adolescentes. Correr da chuva, era como correr do cotidiano, como estar “livre, leve e solto’’. E talvez, experimentar fazer algo diferente em um dia tão comum. O cotidiano muitas vezes nos torna pessoas um pouco menos “livres, leves e soltas”. É preciso ousar. É preciso criar algo novo a cada dia. Afinal, como dizia Fernando Pessoa: “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.